A condução na Grécia

Hoje descobri que aqui na Grécia, a sinalização rodoviária é meramente académica, e as regras da estrada são na realidade sugestões que podes, ou não, decidir seguir.

A viagem de autocarro entre Atenas e Patras (cerca de 200km) foi feita sempre numa estrada de duas faixas, uma em cada sentido, com um traço contínuo duplo a separar as faixas. Claro que este traço, que em Portugal significa “não ultrapassar, *MESMO*”, por aqui é apenas alto indicador de onde fica o centro da estrada.
Durante todo o caminho, o nosso autocarro metia-se no centro da estrada, ao mesmo tempo que os camiões e os carros lentos se chegavam amavelmente para a direita para nos deixar passar, mesmo que em frente houvesse uma curva sem visibilidade, lomba, ou outros carros e camiões no sentido contrário a fazer as mesmas manobras.

De uma forma estranha, senti-me confortável, como se tudo se tratasse de uma dança em que todos os participantes conhecem a coreografia de trás para a frente, e cooperam de uma forma bela e serena.

A única esperança que ainda tenho para este povo é que o taxista que me trouxe ao hotel estava a fazer manobras ainda mais loucas, e levou algumas buzinadelas leves, o que sugeria que nem tudo o que ele fazia era normal.

Don’t be a wuss

Hoje recebi um spam com este título: Don’t be a wuss

Epá, isto é o tipo de cenas que apela directamente ao meu ser. Como se o spammer tivesse entrado directamente no meu cérebro, observado os padrões de disparo das minhas sinapses e absorvido toda a essência do meu pensamento — mais: da minha alma.

No corpo da mensagem, ele descreve o que entende por não ser wuss: “Six months you’ll be carrying a dangerous weapon down there”.

Epá! Carregar uma arma perigosa lá em baixo! Um sonho tornado realidade, qual jedi knight do quarto, a fantasia de ser um verdadeiro Charles Bronson dos lençóis!

Sim senhor, este spammer esteve à altura, e o seu email será apagado com reverência, separado do resto dos spams comuns e sem imaginação.

Poderá o spam ser considerado arte?
Este nó da matriz acha que sim.

Review da carteira All-Ett European

A minha utilização de uma carteira pode ser facilmente resumida nas palavras do Paul Steward-Stand (fabricante da mui-estilosa carteira de metal):

We have learned that there are two kinds of men when it comes to their wallets. Those that treat their wallet like a woman treats her purse, and those that are loath to carry anymore then they absolutely need.

Eu encaixo-me na segunda categoria, e parti daí para a minha busca pela carteira ideal. Infelizmente, a carteira ideal não seria a mui-estilosa carteira de metal porque aparentemente o tecido risca-se facilmente, e a minha preferência vai para o clássico preto. Para além do mais há que ter o preço em consideração — custa-me pagar mais por uma carteira do que o dinheiro que vai andar dentro dela.

Eventualmente aconselharam-me a All-Ett, alegadamente a carteira mais fina do mundo. A versão mais básica desta carteira é a European, feita de tecido de lona que é supostamente durável e resistente, e extremamente fino. Como a carteira é extremamente barata, decidi encomendar uma para ver se gosto dela, e mais tarde talvez encomendar a versão em cabedal.

Após dois dias a utilizá-la aqui estão as minhas experiências:

A carteira é verdadeiramente fina. Quando está vazia, tem aproximadamente a largura de dois cartões de crédito. Mesmo cheia, é pouco mais grossa do que a minha carteira antiga vazia, que já era mais fina que a maior parte das carteiras de homem:

Para além da largura, a restante primeira impressão causada pela carteira não é boa: a lona tem um aspecto barato e faz um barulho à saco de plástico de supermercado:

A outra coisa que salta imediatamente à vista é o facto de ser pequena — practicamente com o mesmo comprimento que um cartão de crédito, e ganhando apenas um pouco mais em altura. Este foi um problema para mim: quando tirei a carteira em público pela primeira vez, senti-me um pouco estranho com um carteira com aspecto de carteira de brincar. Nunca pensei que fosse dizer isto, mas a carteira talvez fosse pequena demais.

O problema do tamanho também se põe pelo facto de a empresa que desenhou a carteira ser norte-americana, onde as notas têm todas o mesmo tamanho, ao contrário dos Euros cujas notas são progressivamente maiores de acordo com o seu valor. As notas entre os 5€ e os 20€ couberam bem, apesar de qualquer deslocamento pôr as maiores a espreitar cá para fora, mas as notas de 50€ revelaram-se demasiado grandes para a carteira as esconder completamente:

Isto dá a entender que notas de valor superior ficarão ainda mais mal instaladas, o que infelizmente não é um problema grave para mim.

Finalmente, o problema maior para o português é o que fazer com o bilhete de identidade, esse cartão que nunca cabe em lado nenhum, mas que o governo insiste que temos que ter conosco a todos os momentos. Antigamente carregava o BI na carteira, encostado cuidadosamente na zona das notas, mas neste caso essa possibilidade está de fora uma vez que a zona das notas não é muito maior que os bolsos para os cartões.

A minha solução para este problema foi uma em que já devia ter pensado há mais tempo: dobrar o BI ao meio. Dobrado, o BI fica sensivelmente com o tamanho de um cartão de crédito, o que permite inseri-lo num dos bolsos e carregá-lo confortavelmente.

Como o cartão é laminado, o processo não danifica o cartão de maneira nenhuma:

Et voilá! Sem sequer ter que esperar pelo Cartão do Cidadão!

Conclusão: em certos aspectos estou a gostar de ter uma carteira que é de facto fina, e que passa totalmente despercebida no bolso das calças, mas o aspecto barato e o tamanho demasiadamente pequeno não me fazem propriamente puxar orgulhosamente da carteira em público. O facto de as notas de 20€ caberem por pouco faz com que qualquer deslocação as ponha com as pontas de fora, o que obriga a ter cuidados extra com a arrumação das notas.
Por outro lado, a arrumação horizontal dos cartões faz com que estes fiquem muito mais seguros, pois só podem sair mesmo quando a carteira está aberta.

Vou continuar a usar a carteira durante mais uns tempos para ver se me habituo ao seus pequenos defeitos, mas a previsão actual é de nova compra no horizonte.