Manowar

Introdução

Há uns meses tive oportunidade de ver os Manowar ao vivo em Colónia.

Foi uma prenda de anos (obrigado, Ramona!), e o concerto foi absolutamente excelente. Menos não era de esperar de uma banda que anda nestas andanças desde 1980.

Eu já sou fã da banda há uma série de anos, mas a Ramona só os conheceu há pouco tempo, a propósito de ir ao concerto. Quando estávamos a ir para casa depois do evento a ouvir um CD dos Manowar (obviamente) no carro, ela fez uma observação curiosa — de que a palavra favorita da banda devia ser “steel” — “aço” em português — porque a usam muito frequentemente. Mesmo.

Ora, para quem não conhece os Manowar, eis como a Wikipédia portuguesa os descreve:

A característica marcante da banda, além de sua polêmica auto-promoção é seu discurso em prol do verdadeiro heavy metal, sua temática epica e lírica que mistura temas como mitologia nórdica, mulheres, velocidade, guerras, e a proclamação de que os fãs do Manowar são os melhores e mais dedicados fãs do mundo.

Ênfase minha. A Wikipédia inglesa vai mais longe:

They are known for writing lyrics with an emphasis on the heavy metal genre itself, fantasy (particularly sword and sorcery) and mythological topics (particularly Norse mythology).

Mais ênfase minha.

Ok, eles cantam sobre metal (o género musical) e combates medievais, ambos temas em que a palavra “steel” é apropriada, mas nunca tinha reparado um amor maior por essa palavra do que por outras relacionadas com o género. No entanto, no preciso momento em ia defender a banda dizendo que era exagero, a música entrou num refrão em que figurava a palavra repetidamente. Na música seguinte aconteceu o mesmo, e na seguinte também.

Hipótese

Será que a Ramona tinha razão? Será que os Manowar usam a palavra “steel” mais do que qualquer outra? Era preciso investigar.

De uma forma geek, claro.

Metodologia

Comecei por angariar todas as letras de todas as músicas da banda. Felizmente o site deles disponibliza as letras completas desde o primeiro àlbum. O que se seguiu foi uma sessão aborrecida de copiar o texto de cada música para ficheiros de texto. Decidi meter cada música num ficheiro de texto separado, e organizar os ficheiros em pastas representando os àlbuns.

Em seguida, fiz um programa em Java que percorresse todos os ficheiros automaticamente, e contasse as ocorrências de cada palavra por música, álbum e na totalidade. O programa ignorou capitalização, pontuação e apóstrofos, mas infelizmente não houve uma forma fácil de juntar as diferentes variações da mesma palavra, como por exemplo “sword” e “swords”. Esta análise fica para mais adiante, mas o programa, com o código fonte e os ficheiros de texto, está aqui.

Finalmente, os resultados foram escritos em ficheiros de texto formatados para serem facilmente importados para uma folha de cálculo. Na folha de cálculo foi possível importar e relacionar as palavras mais usadas não só em geral, mas também por álbum. Decidi não incluir no ficheiro a análise de cada música individual, porque seria demasiado trabalhoso, mas o trabalho feito não seria desperdiçado, como se verá mais à frente.

Com a folha de cálculo gerada, foi uma tarefa fácil ordenar as entradas por número de ocorrências totais (decrescente), e olhar para o topo da lista.

Análise dos resultados

Depois deste trabalho todo, qual foi é a palavra mais usada pelos Manowar nas suas músicas?

“The”, com 1405 ocorrências.

Seguido por “of”, “and” e “to”.

Uh, ok, não foi muito surpreendente visto que os artigos costumam as palavras mais comuns em muitas línguas, incluindo o inglês. Voltando à minha lista de resultados, decidi remover todos os artigos, pronomes pessoais e outras palavras sem interesse.

Convém dizer que a lista completa é composta de 2024 entradas. Filtrar a lista toda manualmente estava fora de questão, especialmente quando só interessavam os resultados iniciais. Desta forma resolvi filtrar apenas as primeiras dezenas de entradas de modo a ficar com uma lista das palavras interessantes ordenadas por ocorrência.

A palavra mais usada pelos Manowar nas suas músicas (parte II)?

“Die”, com 134 repetições. Em português, “morre”, ou outras variações do mesmo vocábulo.

Certo, afinal é uma banda de metal. Mas temo que ainda há algo a faltar na análise. Como tinha dito anteriormente, o programa que desenvolvi não distingue entre formas diferentes da mesma palavra, como por exemplo “sword” e “swords”, ou “fight” e “fighting”. Fazendo uma nova passagem pela lista, foi possível identificar alguns destes casos e somá-los de forma a obter a lista definitiva.

A palavra mais usada pelos Manowar nas suas músicas (parte III)?

“Fight”, com 179 occorências.

Seguida por “die”, “metal”, “blood” e outras palavras no mesmo estilo. Ler a lista é como ler uma caricatura dos Manowar.

Mas uma caricatura absolutamente Excelente!

Conclusão

A primeira conclusão já foi atingida — a palavra “steel” não é a mais popular nas músicas dos Manowar. Mas afinal qual é a frequência de utilização?

Muito frequente. O vocábulo aparece na 13ª posição da tabela, um resultado respeitável, apesar de, com 65 repetições, estar muito aquém do título de palavra mais utilizada pela banda.

Fazendo uma análise mais detalhada, eis as ocorrências de “steel” por àlbum:

O gráfico mostra uma tendência clara no aumento da utilização da palavra. Isto corresponde bem com o facto de terem aparecido 3 músicas seguidas com “steel” no meu carro — uma vez que estávamos a ouvir um CD feito em casa e a minha preferência nos álbuns dos Manowar está desequilibrada a favor dos álbuns mais recentes.

Por curiosidade, comparemos este gráfico com o gráfico para “fight”:

A distribuição é semelhante.

Curioso, não é? Acho que vou voltar a isto mais tarde…

[29 de Julho de 2011: Corrigida a tradução de "steel", de acordo com o comentário do Brother, em baixo]

Livros diferentes, livros iguais?

Como disse no último post, o A. J. Jabobs é um dos meus autores favoritos.

Há uns dias, um amigo meu apontou-me para este artigo em que se falava do seu novo livro: My Life as an Experiment.

Apesar de ainda estar a ler o The Guinea Pig Diaries do mesmo autor, decidi encomendar imediatamente o novo título, que chegou passados dois dias.

Qual nao foi a minha surpresa, quando decidi folhear o novo livro:

Em cima: My Life as an Experiment. Em baixo: The Guinea Pig Diaries.

Olhando para as capas de ambos os livros, seria impossível adivinhar:

Aparentemente alguém, algures na editora decidiu que seria boa ideia publicar o mesmo livro sob dois títulos diferentes, com capas diferentes.

E pelos vistos foi — pelo menos conseguiram duas vendas deste leitor.

Corte rude

Há uns tempos encomendei um livro da Amazon.de: The Guinea Pig Diaries.

O livro é escrito pelo mesmo tipo que escreveu o The Know-It-All e o The Year of Living Biblically — A. J. Jacobs, um dos meus autores favoritos.

Ao receber a encomenda, vim a correr para casa para abrir o livro e deparei-me com este corte lateral nas páginas:

“Erro de produção?”, pensei eu imediatamente. Não, respondeu a Amazon nesta nota dentro do livro (em alemão):

Em tradução livre:

Cumprimentos da Amazon.de!

Você encomendou um livro cujas páginas parecem ter sido cortadas com uma faca desafiada. Isto não é um erro, mas antes uma técnica de acabamento especial.

Este estilo é conhecido como “corte rude” e é popular entre os leitores americanos por dar a impressão do livro ter sido preparado manualmente.

Se não estiver satisfeito com o artigo, naturalmente aceitaremos o retorno sem quaisquer custos para si.

bla bla bla (o resto não interessa).

Eia, não o ia devolver de qualquer das formas, porque mesmo que tivesse sido um erro, não seria grande o suficiente para me dar a esse trabalho.

Mas fiquei bem impressionado com o serviço da Amazon. Pergunto-me se tiveram muitas devoluções antes de acrescentar a nota.

Por outro lado, não sei o que dizer acerca do estilo de corte. É engraçado pela sua originalidade, mas o facto é que por vezes torna um pouco mais difícil de virar as páginas — foi preciso habituar-me a pegar nelas por baixo ou por cima, e nunca pelos lados.