WeightWatch 0.9.9

Acho que escrevi algures que a próxima versão do WeightWatch que publicasse ia ser a versão 1.0 final. Se não o escrevi, pelo menos sei que o pensei.

Ora, há uns dias descobri um bug tramado — aparentemente não dava para apagar números no campo de entrada do peso. Eu nunca tinha dado por isto porque na minha utilização diária do programa resumia-se a seleccionar o campo e carregar para cima ou (de preferência) para baixo para aumentar ou (de preferência) diminuir o valor.

Como o bug era tramado em termos de usabilidade, decidi publicar o software o mais rapidamente o possível, apesar de ainda andar desconfiado que o único utilizador deste programa sou eu.

Infelizmente, uma versão 1.0 é um obstáculo psicológico tramado. Uma versão com um número inteiro significa que o software está, para já, terminado, pelo menos no sentido em que toda a funcionalidade originalmente planeada está implementada e não tem problemas de maior. Ora, apesar de ter a funcionalidade planeada quase toda lá, e o software parecer estar bastante estável (pelo menos até encontrar o próximo bug tramado), estou com aquela sensação de que falta qualquer coisa.

Esse je ne sais quois impede-me de somar aquela centésima de versão ao programa que o tornaria um membro completo da sociedade. Lamento, WW, mas vais ter de esperar mais um pouco.

Finalmente convém dizer que esta versão, para além de corrigir o tal bug, também acrescenta algumas outras coisas que estavam em desenvolvimento desde a versão 0.9.5, nomeadamente, é possível carregar para baixo no gráfico para ver um gráfico de peso anual; a interface está ligeiramente mais atraente; e foram corrigidos vários pequenos problemas.

Como sempre, aqui está o link do costume.

O Rafael diz olá

Contra todas as expectativas, o Rafael sobreviveu já quase 5 meses em condições adversas que começam com ter de partilhar o vaso com dois cactos e os dois Joaquins, e terminam no facto de ele ter de depender de mim para que lhe dê essa deliciosa substância que é a água.

Os Joaquins, que algumas almas maldosas apelidaram de “ervas daninhas”, ou “umkräuter” (é a mesma coisa, dita por gente diferente) é que parecem não estar a gostar de partilhar o vaso com os outros e, apesar de todos os meus esforços, parecem estar a querer ir desta para melhor. Creio que o maior até já iniciou a viagem.

Felizmente, nem tudo são más notícias, pois na campa do Joaquim sénior brotaram recente e sorrateiramente dois novos Joaquins que parecem estar vivaços e cheios de força.

Já os cactos, apesar de terem sofrido um grave revés há algum tempo atrás, reorganizaram-se e também se encontram de excelente saúde, apesar de eu agora estar desconfiado que pelo menos um deles conseguiu adquirir acesso à internet e anda a receber os mesmos mails que eu.

Comer às escuras

Este fim de semana estive no Unsicht-bar, em Colónia.

Este restaurante tem uma temática muito particular: proporcionar a experiência que os cegos têm quando chega a hora de comer. Para atingir esse objectivo, a sala de jantar do restaurante encontra-se completamente escura, e é um sítio onde, de acordo com o nosso empregado, “qualquer tipo de luz é tabu”.

Isto significa desligar ou guardar tudo o que possa emitir luzes, como o telemóvel, relógios, etc. A passagem da recepção para a sala de jantar processa-se através de um sistema de duas portas em que apenas uma pode estar aberta a qualquer momento, e que garante que não há luz nenhuma acesa no momento em que se abre a porta que dá para o interior do restaurante.

Para dar uma ideia, eis uma foto que tirei durante o jantar:

Os empregados de mesa são na sua grande maioria invisuais. Eles guiam-nos através da escuridão até ao nosso lugar, dão-nos instruções sobre onde podemos encontrar os nossos talheres e como receber as bebidas e ensinam-nos a encontrar a comida no nosso prato. Comida essa que pode ser escolhida à entrada, mas apenas de uma forma muito geral — existem seis menus, de carne de aves, peixe, vegetariano, etc, mas não sabemos exactamente o que vem servido em cada um deles. Tentar descobrir o que estamos a comer constitui a segunda parte da experiência.

O que é que isto tudo significa para o restaurante? Muitos copos e pratos partidos, para começar. Nas duas ou três horas que estivemos lá dentro houve pelo menos quatro eventos em que a loiça teve um encontro violento com o chão. Num deles, foi o meu próprio copo de vinho, que felizmente já estava vazio (convém dizer que não foi culpa minha, mas do empregado que estava a arrumar a mesa ao meu lado). Mais a mais, aposto que poupam com a decoração, e a limpeza do chão é provavelmente opcional (mas espero que não).

E o que significa para nós? Tentar cortar um pedaço de peito de frango sem ver nada é um desafio único: o resultado fica frequentemente pequeno demais para render o trabalho de o ter cortado e procurado no prato, e quando fica grande demais, temos de decidir se volta para o prato para uma nova tentativa e se antes de voltar ainda leva uma trinca, ou se talvez devíamos ver se ainda cabe tudo na boca — depois de levar o garfo vazio à boca pela décima vez, um tipo começa a racionalizar que qualquer comida que venha agarrada ao garfo não é para desperdiçar.

No final de contas foi uma experiência única e espectacular. Estar num sítio público onde ninguém nos pode ver dá aso a muitas coisas. Alguns dos nossos vizinhos começaram a falar alto demais e a fazer comentários idiotas. Eu optei por fazer carantonhas horríveis e coisas que podem ser classificadas como “figuras de parvo”, desde que fossem sempre feitas de uma forma discreta e silenciosa. Ainda por cima, o meu método de comer foi tudo menos “limpo”, assim que descobri que era mais fácil encontrar a comida no prato com os dedos do que com o garfo.

No final foi-me sugerido que o restaurante talvez pudesse ter uma câmara daquelas que vêem no escuro, ao que eu digo: Quem me dera ter esse filme!