A odisseia do Rafael

Existe uma daquelas regras que ninguém diz, mas que todos conhecem, que afirma que todos os escritórios deviam ter pelo menos uma planta. Como trabalhador de escritório que sou, tentei durante longo tempo ignorar essa obrigatoriedade por medo que a pobre da planta sucumbisse à minha preguiça.

Ora, recentemente decidi que não vou fugir mais aos meus deveres. Este fim de semana saí de casa para comprar umas plantas, e numa tentativa vã de tentar retardar o efeito da minha preguiça sobre a saúde delas, decidi comprar apenas daquelas que precisam de pouca água para sobreviver, nomeadamente, cactos e bambus.

Infelizmente, só depois de ter feito as compras é que fui informado de que os bambus, de facto, precisam de quantidades enormes de água. Pior ainda é que o meu plano original era de colocar o bambu e os cactos todos no mesmo vaso para para os regar todos de uma vez se fazerem companhia uns aos outros, mas aparentemente os bambus deveriam ficar num vaso apenas com água, sem terra, porque parece que os bambus não se dão em terra. Não sei, isso para mim é estranho — se calhar alguém se esqueceu de informar estes bambus na China!

Dada esta discrepância de informação, decidi fazer o que qualquer académico faria: um estudo. Dada também a elevada probabilidade de, uhh, sacrifício pela ciência por parte do bambu, decidi dar-lhe um nome.

Apresento-vos o Rafael:

Lá em baixo podem-se ver três mini-cactos a fazerem-lhe companhia no vaso. Por enquanto permanecerão anónimos, mas dependendo das suas respectivas taxas de sobrevivência (a serem medidas em decadência de aspecto por dia) podem vir a receber os seus próprios nomes.

Bem vistas as coisas, acho que foi boa a decisão de colocar o bambu com os cactos. Se o bambu bebe muita água e os cactos pouca, a média deste vaso é equivalente a uma qualquer flor genérica como as que os meus colegas têm nos vasos deles.

Decidi, portanto, regar o vaso uma vez por semana, e ir colocando postas frequentes neste site a registar a saúde do Rafael ao longo do tempo.

Boa sorte, Rafael!

Matemática

Este artigo no Público tem esta maravilhosa citação de um tal de Augusto Cybrom, presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis:

Ainda bem que não se realizou, porque um boicote tem um impacto económico forte. Os primeiros três dias de um mês podem ser 10% do negócio dos concessionários

Repare-se bem: os primeiros três dias representam 10% do negócio das gasolineiras. 10% em tão poucos dias!

Mas espera aí. Isso é assim tão diferente de outros quaisquer grupos de três dias do mês? É que, meu amigo, no calendário Gregoriano os meses têm, em média, 30 dias, ou seja, três dias representam exactamente 10% do mês!

Não é que eu ache que 10% do negócio dos concessionários seja algo de se deitar fora. Aliás, não me importava nada de ficar eu com esses 10% de lucros — sempre era da maneira que podia comprar um carro eléctrico e parar de dar bem mais do que 10% do meu ordenado a esses tipos.